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Caixa Econômica lança três editais de cultura 0

Jul3

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A Caixa Econômica Federal lançou no mês de junho três editais na área de cultura para 2010. Dois deles contemplam a área de dança: o de Ocupação dos Espaços Culturais da CAIXA e o de Festivais de Teatro e Dança. O terceiro edital é de Apoio ao Artesanato Brasileiro. Ao todo serão distribuídos R$ 27,5 milhões.

O edital 2010 de Ocupação dos Espaços Culturais da CAIXA é voltado para projetos nas áreas de artes visuais (fotografia, escultura, pintura, gravura, desenho, instalação, objeto, videoinstalação, intervenção e novas tecnologias ou performances), artes cênicas (teatro, dança e performance de palco), música, cinema e outros. Além disso, podem ser contempladas palestras, encontros, cursos, workshops, oficinas e lançamento de livros. Só este edital fará um investimento de R$ 23 milhões.

O restante do orçamento será dividido entre os editais de Festivais de Teatro e Dança (R$ 3,5 milhões) e o de Apoio ao Artesanato (R$ 1 milhão).

Mais informações:www.caixacultural.com.br
Fonte: www.idanca.net

Um outro mundo é possível - resenha 0

O pensamento de Milton Santos devolve-nos a esperança na construção de um mundo mais humano e serve de antídoto à crueza dos tempos atuais e à descrença nos valores de uma história verdadeiramente humana

Nestes tempos cruéis em que vivemos, quando vemos os valores humanos tradicionais sendo desconsiderados ou invertidos, as instituições sendo arrastadas à podridão moral e ética, a representação política desacreditada por gangues de malfeitores que nela se instalaram, os políticos se assemelhando a assaltantes, apropriandose dos dinheiros públicos e usando os mandatos para subtrair-se à aplicação do código criminal, atingindo até mesmo as universidades, onde quadrilhas se instalaram nos departamentos, gerindo-os como um mau executivo de equivocada empresa privada (que não tiveram a competência de criá-las no espaço apropriado das cidades), e a reitoria, destituída de sua magnificência pelo afastamento de seus valores, espelhando-se nos políticos, pratica os mesmos crimes, furtando- se à aplicação das leis, e cinicamente defendendo a naturalidade de seus malfeitos. Na esfera privada, refletindo as elites pais encarceram ou assassinam filhos, por ciúmes ou por qualquer outro motivo fútil, filhos assassinam pais, por cobiça financeira ou outra banalidade qualquer. Enfim, nestes tempos em que, por uma política globalmente radical de redução a um ‘pensamento único’, da complexidade - as naturais e necessárias multiplicidade e diversidade - assistimos à tentativa de, pela exclusão do(s) contrário(s), se engessar a história e finalizar (ou será ‘deletar’) o ‘homem’. Tudo isto vem desabando sobre nós, tornando-nos, conseqüentemente, descrentes quanto à possibilidade da existência de qualquer futuro.

Foi neste exato momento que, por uma dádiva fraterna de um dos meus irmãos (sim, ainda existem irmãos fraternos), me chegou às mãos um livro(1) de um dos mais notáveis intelectuais brasileiros de nosso tempo (sim, eles ainda existem, embora devam ser procurados com lupas). Trata-se de uma coletânea de artigos do geógrafo Milton Santos (1926-2001), sanfranciscano (de Brotas de Macaúbas), como Assis Valente, Darcy Ribeiro, João Gilberto, Adélia Prado, para citar só os que me vieram de imediato à memória. O Professor Milton Santos teve a sua formação básica na Bahia (bacharel em Direito, 1948) e obteve o título de Doutor em Geografia em Estrasburgo, França (1958), de onde retornou à Bahia para dar aulas na Universidade Católica e na UFBa. Da Bahia, saiu para ganhar o mundo, tendo sido professor em várias universidades européias, americanas do Norte e do Sul e africanas. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa das Universidades de Toulouse (1980), Buenos Aires (1992) e Barcelona (1996) e foi Professor Emérito da USP-FFLCH (1997), tendo conquistado ainda, em 1994, o maior prêmio internacional de Geografia, o Vautrin Lud, considerado o ‘Nobel’ de Geografia. Ao retornar ao Brasil deu aulas na USP, UFRJ e de novo na UFBa. Como cidadão do Mundo, no entanto, jamais perdeu a consciência de pertencer a um território e a uma história particulares, o patamar de onde descortinava o Mundo. Este livro, apesar de seu diagnóstico cruel, mas lúcido, da realidade brasileira, nos reacende a esperança no homem e, nos devolvendo a crença na construção humana de um futuro, faz renascer o interesse pela política como ‘o exercício de uma ação ou defesa de uma idéia destinada a mudar o curso da história’ (p.105). Destaca-se, neste livro, que é uma leitura do mundo atual marcada por dicotomias (na verdade, o jogo de tese/antítese que faz caminhar o seu pensamento), a sua capacidade de, perscrutando o presente, um perverso presente, delinear com uma clareza ofuscante as grandes linhas do futuro, a possibilidade de um amanhã virtuoso. A sua serena lucidez, certeira e fulminante no equacionamento dos problemas, na identificação dos atores e cenários (‘situações’) em que se dá o embate contemporâneo da humanidade, na explicitação do que, de fato, importa, é que vai lhe possibilitar antecipar o futuro.

Dono da língua, como hoje raramente se vê, sobretudo nos alunos da Universidade, mesmo aqueles ditos ‘das Letras’, o seu texto nos permite ainda a fruição estética: a simplicidade aparente de sua escrita traduz uma elaboração rebuscada, escondida no seu estilo limpo e enxuto.

Leia a resenha na íntegra:
Fonte: http://www.irohin.org.br/imp/template.php?edition=23&id=174

Interno de mim mesmo 1

Jul1

1julho2

Sou interno
E, no entanto, me vejo fora.
Fora daqui.
Sou interno in terno preto,
Social Sem Mocassim.
Não sou produto,
Nem possuo interno bruto.
Sou interno,
Interno em meio à uma sociedade inteira.
Interno inteiro,
Interno em teus termos.
Sou interno de mim,
Interno de mim mesmo.
Sou interno e ao longe me vêem com desgosto,
E meu gosto é não gostar de estar interno.
Esse interno há muitos infernos,
E quando chove, meu interno se interna com pulmão cheio,
Cheio e interno.
Sou interno em capital e interior,
Sou interno, intenso,
Imenso.
E penso,
Penso em sair daqui
Interiormente minha mente é externa,
Meus sentimentos ainda cuidam de mim,
E quando vejo alguém,
Na hora da despedida, meu interno inteiro
Esvazia as lágrimas contidas.
Sou o céu
Sou o meu
Universo.
Sou interno de mim mesmo.

Por Crônica Mendes

Obs: Dedicado à todas as pessoas que se encontram privadas de sua
liberdade.

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